Dentes de leite podem ser saída para cura de doenças graves

O uso da polpa dos dentes de leite de crianças de 9 a 12 anos pode ajudar no tratamento de doenças como diabetes tipo 1 e até Alzheimer

 

Ninguém espera ter uma doença séria ao se tornar adulto, mas pode acontecer. Agora imagine poder utilizar os próprios dentes no tratamento dessas doenças. Essa hipótese já deixou de ser apenas uma possibilidade e se tornou uma realidade no Brasil. Trata-se do uso de dentes de leite para a extração de células-tronco, descoberta realizada por estudos de cientistas renomados.

Os dentes de leite fornecem a polpa, de onde é extraído o rico material genético que deve ser armazenado por meio de técnicas avançadas de criogenia, para que haja garantia de integridade do material. Ao perceber a doença, o material é utilizado para uma espécie de “confecção” de células regenerativas. A prática está se tornando cada vez mais comum entre pais de crianças pequenas, que antes utilizavam o cordão umbilical da criança para o fornecimento de células.

As células-tronco fornecidas pela polpa do dente, se submetidas às condições adequadas, são capazes de se transformar amplamente. Esse material é muito valioso no auxílio da reconstrução de órgãos e tecidos, como ossos, tecido cardíaco, nervoso e adiposo, músculos, dentes, pele, cartilagem, fígado e até neurônios. Os tratamentos realizados a partir deste material podem ser benéficos não apenas ao doador, mas também aos familiares próximos.

O lábio leporino, que é uma abertura no lábio ou no céu da boca decorrente de má formação durante a gestação, é um exemplo de sucesso em estudos clínicos realizados com polpa dentária no Brasil.

Outro problemas, como fraturas, queimaduras e até doenças graves, que até o presente momento são incuráveis pela medicina tradicional, já apresentam avanços consideráveis quando tratadas com as células extraídas dos dentes de leite. Portadores de doenças cardíacas, diabetes tipo 1, Alzheimer e autismo já começam a encontrar nesta fonte uma esperança para tratamentos mais eficazes, com possibilidade de chegar à cura.

Outro uso eficaz da polpa do dente de leite está sendo realizado pelas Faculdades de Odontologia, que enxergam nesse novo cenário a revolução do tratamento de cáries e periodontites, por meio da reconstrução do tecido dentário realizada com as células-tronco oriundas dos dentes.

 

Custos de armazenamento

 

É importante que o armazenamento do material genético extraído dos dentes seja feito por empresas especializadas e devidamente certificadas, para que haja a garantia da integridade nas amostras e, assim, a efetividade no uso, sem surpresas desagradáveis. Os serviços podem ter custo variável. Em média, laboratórios em São Paulo, cobram três mil reais além de uma taxa anual de R$ 450 para realizar a coleta, a multiplicação das células e a sua criopreservação. Na verdade o investimento se torna irrisório diante de tantas vantagens que o uso do material proporciona.

Os estudos apontam que os dentes adultos também possuem este tipo de célula, entretanto a presença é bem menor do que nos dentes de leite, e existe o agravante de que o material extraído se apresenta envelhecido. Mesmo assim ele pode ser útil para tratamentos alternativos, ainda que precise passar por procedimentos mais complicados, dada a idade avançada das células e sua menor eficácia.

 

Fonte: Bem Paraná